segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Grande Amor

 Desci a serra. O sol já se anunciava. As ondas do mar vinham à toda intensidade em minha direção. Havia dormido mal, mas o que não faço para um pouco de refúgio?
As olheiras pesavam em meus olhos, como duas bolsas inchadas e vergonhosas de se mostrar. Não me importava naquele momento, só que a brisa que irradiava em meu cabelo me fazia sentir uma sensação inexplicável.
Coloquei os fones de ouvido. Liguei na música a qual não gostava até então, mas tinha tudo a ver com aquele clima.

Agora está tão longe
Vê, a linha do horizonte me distrai:
Dos nossos planos é que tenho mais saudade,
Quando olhávamos juntos na mesma direção

Senti uma sensação de vazio me percorrendo o estômago. Tudo era tão mais simples quando nos conhecemos. As sensações românticas que nunca passam. A primeira vez que fomos àquela mesma praia juntos. Lembra-se?
Eu, uma simples garota que não tivera nenhum namorado antes. Lembro que estava usando uma blusa regata branca com um shortinho curto. A alça de meu biquíni se anunciava embaixo da blusa translúcida. Era florido, e representava as cores do nosso amor.
Você, com aquele seu jeito de garoto desleixado, bagunçava as madeixas loiras com uma das mãos, enquanto a outra me enlaçava pela cintura, se aproximando para mais um beijo. Sua camiseta branca e sua bermuda jeans. Como esquecer daquela mancha de sorvete que eu desastradamente derrubara?
Então, me encarando com aquele olhar que só você consegue (daqueles que penetram em seus olhos e remexem com tudo de bom que há dentro de si, causando sensações únicas e maravilhosas), nos sentávamos próximos de uma rocha qualquer, e você tocava violão para mim, minha música favorita de uma banda de rock nacional.
O mais destrutivo das lembranças, não são as memórias ruins. Brigas, discussões, tudo isso faz parte, e talvez tenham sido mais um dos motivos que nos separaram. Mas o que me corrói por dentro é saber que vivemos tantos momentos lindos juntos... que jamais voltarão. Não tem mais jeito. Você se foi. Não dessa vida para uma melhor, mas desse país para outro. Perseguindo seu sonho de estudar em uma renomada universidade.
Você fez o certo. Eu em seu lugar não teria pensado duas vezes, mas aquela saudade ainda bate no peito e teima em me incendiar.
Sei que onde quer que esteja, ainda deve pensar em mim. Deve lembrar-se de nós, mas talvez sem aquele amor todo de antes. Será que pensa pelo menos com carinho? Espero que sim.
Desci para a praia com meus pés descalços, e a mesma roupa que eu havia usado na primeira vez. Trouxe também seu violão, o qual deixou comigo como lembrança.
O andar na areia me lembrava o nosso andar, quando ainda caminhávamos na mesma direção. Sentei em uma rocha qualquer, e comecei a tocar a minha música favorita de uma banda de rock nacional.
Em meu peito habitava a saudade. Meu coração clamava por você. O último acorde da música não foi um adeus. Foi apenas a sensação de que ficaríamos juntos novamente.
Não importavam quantos caras passaram por minha vida, quantos ainda passarão. Sei que em algum lugar, em algum dia descontraído, voltaríamos a nos reencontrar.

Essa era a esperança que ainda perdurava em meu peito... só não sabia até quando.

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